Localização: Bairro de Antônio Dias, da Praça Tiradentes à subida da ladeira do Vira-Saia. Data da construção: 1745-1757. Autor do projeto: José Antônio Ribeiro Guimarães. Proprietário: Prefeitura Municipal. Tombamento: Processo nº 430-T, Inscrição nº 377, Livro Histórico, fls. 75. Data: 19.V1.1950. Finalidade atual: Utilidade pública.
Fotos 360 graus
Histórico
É a ponte mais importante da cidade, pelas suas dimensões e harmonia de proporções. O notável arquiteto Manuel Francisco Lisboa, "Carpinteiro e Mestre das Obras Reais", figura nas "ArremataçÕes" do Arquivo Público Mineiro, como tendo executado as obras da ponte de Antônio Dias entre 1745 e 1757. A 11 de outubro de 1755 "contratou a execução da ponte. Não executou a obra, porém, por ter transferido o contrato a Antônio da Silva Herdeiro", segundo informa Feu de Carvalho (op. cit.). Herdeiro, também pela informação do mesmo autor arrematou em 1755 a construção da ponte, por cessão de Manuel Francisco Lisboa, que havia lançado 11.000 cruzados e 60$000. Há, por outro lado, a atribuição por alguns autores da autoria do risco por José Antônio Ribeiro Guimarães, engenheiro, nome que não consta do excelente "Dicionário" de Judith Martins. Por outro lado, Maria Elisa Carrazzoni (Guia dos Bens Tombados, Exped, Rio, 1980), afirma que a ponte foi construída por Manuel Alves de Azevedo, carpinteiro, ativo em Ouro Preto, entre 1728 e 1757, o que torna ainda mais obscuro o problema. Seja como for, a ponte de Antônio Dias ainda lá está, a desafiar o tempo e ... os historiadores. Há um detalhe interessante, a respeito do projeto. As "condições" ou especificações, baseiam-se na "planta e perfil", e declaram que o arrematante é obrigado a fazer a dita obra na forma da "planta e perfil". E mais adiante: "Fará mais o arrematante, dois Arcos que mostra a planta de pedra de cantaria do Tacolomy Pedra rija e esta será lavrada de picão miúdo." Além disso o arrematante podia aproveitar todo o material proveniente da ponte de madeira que existia no local, o que demonstra que as primeiras pontes eram de "pau", e só bem mais tarde foram construídas as de pedra, muitas delas no governo de Gomes Freire de Andrade.
Descrição
A ponte de Antônio Dias é construída em alvenaria de pedra argamassada com cal e areia, em dois arcos, iguais, medindo cerca de 5,00m de vão e 7,40m de altura, do leito do rio até o fecho do arco. Os arcos são de aduelas de cantaria e o intradorso de lajes rejuntadas. Há três pegões de alvenaria, sendo o central, em planta, na forma de arco de círculo. O enchimento do corpo da construção é todo de pedra. Acima dele levanta-se a primeira fiada de lajes guarnecidas de bueiros, situados nas extremidades dos arcos de círculos. Sobre a mencionada fiada de lajes, há mais duas outras, que formam internamente os assentos e o parapeito que se prolonga pelas cortinas, dos dois lados. Ainda no extremo dos semicírculos há quatro pilastras de cantaria, encimadas por pirâmides, também de cantaria, e que se repetem nos quatro extremos das cortinas. Sob essa ponte passam as águas que descem dos morros de São Sebastião, e Pascoal da Silva, e passam antes por duas outras pontes: a de Henrique Lopes e a da Encardideira.
Fonte: Guia dos Bens Tombados - Minas Gerais. 1984