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Igreja São Francisco de Paula

 

Igreja São Francisco de Paula, Ouro Preto, MGLocalização: Noroeste da cidade, no antigo morro da Piedade.
Data da construção: 1804-1898.
Autor do projeto: Sargento-mor Francisco Machado da Cruz.
Proprietário: Arquidiocese de Mariana, administrada pela Irmandade de São Francisco de Paula.
Tombamento: Processo nº 75-T, Inscrição nº 240, Livro Belas-Artes, fls. 41. Data: 08.IX.1939.
Finalidade atual: Culto religioso.


Histórico

A Congregação dos Fiéis do Patriarca São Francisco de Paula instalou-se na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias em 1780. Constituiu-se em 1782, com o nome de Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula, e permaneceu na Matriz de Antônio Dias até 1790, quando passaram para a Ermida de Nossa Senhora da Piedade, ali permanecendo até 1800. Três anos mais tarde resolve a Irmandade construir sua própria igreja e, em 1804, é lançada a pedra fundamental. A construção é iniciada pelo projeto do Sargento-mor Francisco Machado da Cruz. Talvez por falta de recursos, a obra arrastou-se durante muitos anos. Há informação de que as fundações foram lançadas em terreno firme a grande profundidade. O fato é de que a primeira notícia que se conhece, em 1837, é a colocação do portão do cemitério, e em 1859 uma referência ao inicio do corpo da igreja. A obra vai continuar através do século, tanto que só em 1878 se dava por terminado o exterior do edifício. Por essa altura, a moda do neogótico já tinha aparecido em Minas, com as capelas do Colégio do Caraça e do Seminário de Diamantina. Há, no intervalo, a intervenção de um frei Francisco, do qual não se conhece o nome completo, que erigiu um cruzeiro e promoveu uma campanha para obtenção de fundos, visando o prosseguimento das obras. Curioso é que essa igreja, tendo sido iniciada em 1804, tenha sido continuada sempre pelo mesmo projeto, sem sofrer modificações sensíveis. Aproximadamente na mesma data já se fazia antever o neoclassicismo, na Bahia, com o edifício da Associação Comercial. Em seguida a instalação dos cursos oficiais de arte no Rio, com a Missão Francesa de 1816, e o neoclassicismo de Grand-jean de Montigny e seus alunos e, por fim, o surgimento do neogótico e do primeiro ecletismo. Tudo isso foi atravessado, impavidamente, pelos construtores de São Francisco de Paula, que levaram a obra até o começo do século XX, seguindo os padrões mineiros do fim do barroco e do rococó. O fato é que em 1908, restaurava-se a capela próxima ao cruzeiro, colocava-se a imagem de Nossa Senhora da Piedade e era concluída a douração dos altares laterais. Por fim, em 1948, o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, efetuou uma intervenção na igreja, que estava a exigir cuidados quanto à cobertura e início de ruína.

Descrição

A igreja situa-se num dos pontos mais elevados de Ouro Preto, descortinando um panorama em que se incluem alguns dos principais monumentos de Ouro Preto: a igreja de São Francisco de Assis, o Museu da Inconfidência, a Igreja do Carmo, o Palácio dos Governadores, hoje Escola de Minas, todo um pitoresco casario, descendo até a Igreja Matriz do Pilar. E, ao fundo, o desenrolar das serranias, dominado pelo pico do Itacolomi. Ao fim da estrada que dá acesso ao monumento, encontra-se uma grande escadaria de pedra, com o primeiro lanço menor, grande e largo patamar e o segundo lanço, com quatro figuras de cerâmica do Pato sobre altos pedestais. O adro cerca a igreja com um muro de pedra, e à direita do observador está o cemitério, com um belo portão, de ferro, com marco de cantaria tendo a data 18S7; no alto do frontão, entre dois pequenos coruchéus, uma cruz de pedra. Quanto à igreja, propriamente, a sua frontaria corresponde a forma tradicional: corpo central e corpos laterais com as duas torres, dividindo o plano da fachada pelos cunhais e pilastras. Um embasamento contínuo de cantaria contorna todo o edifício. A portada, em arco de círculo tem uma pequena cimalha e o conjunto é de cantaria; a porta é almofadada. Lateralmente, ao nível do coro, as duas portas-janelas, com balcões de ferro, e ao centro o óculo quadrilobado, envidraçado. O grande entablamento contorna o corpo da igreja correspondente à nave, enquanto a capela-mor, sacristia, consistório são em nível mais baixo e contornados por outro entablamento. Acima do entablamento da fachada, encurvado sobre o óculo, levanta-se o frontão, com duas grandes volutas, em S, que enquadram um motivo central, com pilastras, ornamentação e base para a cruz. As torres são de planta octogonal, chanfradas nos cantos, com as sineiras abertas em arco semicircular e encimadas por entablamento menor, cúpula de alvenaria e coruchéu de cantaria. Na torre do lado esquerdo existe um relógio circular. Interiormente o coro apóia-se em três arcos e é limitado por uma grade de ferro. A nave é dotada de seis altares importantes, cujos retábulos são dos tipos: os quatro externos iguais entre si e os dois centrais do mesmo modelo; são dotados de colunas lisas, com enrolamento de folhagens, no primeiro tipo, e colunas caneladas, com estrias curvas no terço inferior; são todos executados em talha de boa qualidade, verificando-se, porém, uma execução mais seca, sem o sentimento gracioso ou pujante das grandes obras do setecentos. Ainda havia entalhadores em Ouro Preto, no século XIX, mas a época áurea já estava encerrada. O mesmo pode ser dito do altar-mor, de boas proporções e composição, bem enquadrado no arco da capela. As imagens são de boa qualidade. As pinturas existentes no teto da capela-mor, representando cenas do Novo Testamento, são de menor qualidade.

 

Fonte: Guia dos Bens Tombados - Minas Gerais. 1984
Digitalizado por: webcamTurismo.com

 

 
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